(Se este manifesto foi postado na página do Hi5 da tua escola, é porque nela se verifica um alto teor de betos. Pede-se desculpa por possíveis ofensas às pessoas ou esteriótipos mencionados e satirizados. Mas enfim, amigos. A crítica social é e sempre dura de roer.)
# 1 - "O meu papá é empresário e faz o seu jogging matinal a bordo de um Mercedes."
Talvez o dito Mercedez não passe de um Fiat Punto. Há quem confunda. Seja como for, não sei o que se passa com todo esta aparato sobre "a crise em Portugal". O que é certo é que ultimamente andam por aí incontáveis "empresários" de sucesso. Bem, verdade seja dita, vender droga na Avenida da Liberdade ou o corpo no Parque Eduardo VII já são considerados "negócios" e os seus praticantes "empresários", nos dias que correm. Falo da "Lazer Pessoal e Entertenimento Subtil Enterprises", uma "empresa" que cresce e cresce a olhos vistos, da qual florescem lucros e BMWs, fatos Armani e botas Timberland que nem cogumelos.
# 2 - "Na Sexta à noite, vou ao Paradise Garage e beber até caír!"
Uau, isso é muito Morangos com Açúcar. Eu diria até "rebelde" e "bué-da-fixe". Um beto tem que ter o seu lado boémio e decadente. Ou melhor, talvez seja apenas a típica bossalidade e o lado porcamente animalesco da adolescência a vir ao de cima. E bem que eles o tentam esconder! Mas não conseguem. Por isso, instituíu-se que beber, fumar e vomitar atrás de carros estacionados são actos "cool". A inexplicável fascinação pela palavra "rebelde" surge aqui. E não se esqueçam, meninas: se conseguirem que dois seguranças vos carreguem ao colo até casa por estarem demasiado bêbadas para andar, são o cúmulo do "cool"!
# 3 - "Tuda na boa! Eu respeito os que são diferentes e as suas escolhas porque é isso que um tipo boa onda faz."
A intenção da afirmação é a melhor mas a sua aplicação é deliciosamente irónica. Devo lembrar-vos que os betos vêm os orientais como "gajos da loja do chinês", os asiáticos como "terroristas", os africanos como "pretos ladrões", os brasileiros como "pobretanas que limpam escadas", os ucranianos como "empregados de limpeza", os indianos como "muçulmanos que têm loja no Martim Moniz" e os restantes europeus como "suecas com grandas mamas, pá". Olha que bela onda que eles são! E aprenderam com os Morangos com Açúcar.
# 4 - "Eu tenho um estilo pessoal. Sou único/a!!!"
Apresento-vos o UBL 2008 (Uniforme Beto Lisboeta 2008):
Meninas: cabelo absurdamente loiro e volumoso, uma quantidade ridícula de brincos e piercings nas orelhas, tops roxos de decote redondo e revelador, todo um arsenal de lenços e colares pseudo-étnicos, jeans que evidenciam umas coxas horrivelmente magras ou terrivelmente gordas, botas Timberland ou Berg, a 20€ na Decathlon.
Meninos: franjinha-capacete puxada para o lado, T-shirt de uma loja de surf (pela qual pagaram um astronómico balúrdio que daria para alimentar a família durante duas semanas), calças largas que deixam ver boxers nada atractivas, ténis enormes de pseudo-skater. (Ainda não entendi esta fascinação com skaters e surfistas ao mesmo tempo. Aguardo expectantemente que metam o estilo gótico, punk e hippy ao barulho no mesmo outfit.)
Adicionem a isto coisas que se evidenciem como "Billabong", "Roxy", "Miss Sixty", "Lighting Bolt" e et cetera. As ditas marcas são o cúmulo da "rebeldia", meus queridos. E agora repitam lá a frase: "Sou uma criatura única. Única, claro, aos olhos da minha mãezinha."
# 5 - "Ando/Andei num colégio."
E se tiveres sido expulso no 9ºano pelas terríevis notas, não deixas de ser um magnífico beto. Mencionar que se frequenta o ensino privado é uma marca de poder. E se, acidentalmente, se revelar a quantia idiota que o papá paga de mensalidade, isso é a cereja no topo do bolo. Na cultura beta, é muito importante referir-se uma excelente educação sólida e consistente: só por isto têm garantida uma aparição na revista Caras (ao lado de uma Mamã com a pele que lembra uma tosta humana e de uma catrefada de irmão vestidos que nem saloios).
# 6 - "Sou muito espiritual. Vou à missa todos os Domingos."
... e é por isso que a taxa de suicídio entre padres aumentou consideravelmente nos últimos anos. Mas como eu estava dizendo, um beto TEM que ser espiritual. Rebelde, Rico e Religioso. (adicionem o sufixo "pseudo" atrás de cada uma das três palavras atrás mencionadas, por favor). Ir à missa, rezar um pai-nosso ao lado da vovó e fazer a primeira comunhão fazem de um beto um beto magnificamente espiritual, não acham? Mesmo que durante a missa tenha estado a mandar mensagens SMS a todos os seus amigos, secretamente. Saberão os santinhos ler SMS? Hmm. Já devem ter aprendido.
Ah, mas esqueçam se a vossa confissão for outra que a deles: no Mundo Beto, só há lugar para os pseudo-Católicos.
Oct 4, 2008
9:08 AM